Uma articulação fora dos canais diplomáticos tradicionais teria sido decisiva para viabilizar o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado recentemente na Casa Branca, em Washington.
Segundo informações divulgadas pela jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, Lula teria recorrido ao empresário Joesley Batista, controlador da JBS, para estabelecer um contato direto com o republicano.
De acordo com a apuração, a conversa ocorreu na sexta-feira anterior ao feriado de 1º de maio, durante uma visita de Joesley ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. Na ocasião, Lula teria comentado sobre as dificuldades enfrentadas pelo governo brasileiro para conseguir espaço na agenda oficial de Trump para uma reunião presencial.
Ainda segundo os relatos, o presidente brasileiro utilizou o telefone celular do empresário para realizar a ligação diretamente ao líder norte-americano. O contato teria ocorrido sem participação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nem de integrantes da assessoria internacional do Palácio do Planalto.
Fontes próximas a Joesley Batista afirmam que Donald Trump atendeu rapidamente à chamada. Durante a conversa informal, o republicano teria autorizado a abertura de espaço em sua agenda oficial para receber Lula em Washington. O encontro entre os dois presidentes aconteceu na quinta-feira (7), na Casa Branca.
A revelação dos bastidores chama atenção por evidenciar uma condução paralela às estruturas diplomáticas tradicionais, geralmente responsáveis por negociações e alinhamentos entre chefes de Estado. O episódio também reforça o papel de interlocutores do setor empresarial em articulações políticas e internacionais.
Até o momento, o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores não comentaram oficialmente as informações divulgadas pela reportagem.
O encontro entre Lula e Trump vinha sendo tratado como estratégico diante das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, além de temas ligados à economia, investimentos, meio ambiente e cooperação internacional.

