A disputa interna entre lideranças da direita paulista ganhou novos contornos nesta segunda-feira (11), após o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, anunciar que pretende processar o deputado federal Ricardo Salles por declarações feitas em um podcast no último fim de semana.
O parlamentar, que foi ministro do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e é apontado como pré-candidato ao Senado por São Paulo, afirmou durante entrevista ao podcast IronTalks que integrantes ligados ao PL teriam atuado em esquemas de corrupção dentro do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Segundo Salles, o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, teria assumido funções estratégicas no setor ainda em governos anteriores com a missão de combater irregularidades. Durante a entrevista, o deputado declarou que “a turma do Valdemar roubava” nos órgãos ligados à infraestrutura federal, sem, contudo, apresentar provas das acusações.
A reação de Valdemar Costa Neto ocorreu rapidamente. O dirigente do PL afirmou que Ricardo Salles “terá de provar o que disse” na Justiça. Em resposta, o deputado argumentou que suas declarações estariam baseadas em fatos já divulgados anteriormente pela imprensa nacional e questionou os fundamentos de uma eventual ação judicial.
Após a repercussão do caso, Salles publicou nas redes sociais uma sequência de capturas de tela de reportagens antigas relacionadas a investigações e denúncias envolvendo o Ministério dos Transportes em governos passados. O conteúdo foi utilizado pelo parlamentar como tentativa de sustentar as declarações feitas no podcast.
O episódio amplia a tensão dentro do campo conservador paulista em um momento de articulação para as eleições ao Senado. A disputa envolve diferentes grupos políticos ligados ao bolsonarismo e ao entorno do governador Tarcísio de Freitas.
Nos bastidores, a escolha de nomes para a corrida ao Senado em São Paulo tem provocado divergências entre aliados. Recentemente, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, foi anunciado como pré-candidato ao Senado pelo PL após encontro realizado no estado do Texas, nos Estados Unidos, ao lado de Valdemar Costa Neto e do deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Outro nome cotado para compor a chapa é o atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, filiado ao PP.
Durante a mesma entrevista, Ricardo Salles também fez críticas a Eduardo Bolsonaro, afirmando que o deputado teria viajado aos Estados Unidos para “falar um monte de merda”, em mais um sinal das divisões internas que começam a marcar o cenário da direita paulista de olho nas eleições de 2026.

